Com pedido de desculpas às mães das vítimas, primeiro dia do júri de Carli Filho é encerrado

Com pedido de desculpas às mães das vítimas, primeiro dia do júri de Carli Filho é encerrado

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Após um pedido de desculpas de Luiz Fernando Ribas Carli Filho para as mães das vítimas, o juiz Daniel Surdi Avelar decidiu encerrar por volta das 21h20 desta terça-feira (27) o primeiro dia do júri popular. O ponto alto desta etapa de depoimentos foi justamente o momento em que o ex-deputado virou para Christiane Yared e Vera Lúcia para lamentar a tragédia ocorrida com Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Souza. O julgamento será retomado 9h30 desta quarta-feira (28).

Foto: THEO MARQUES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

“Eu sou culpado, mas nunca tive a intenção de matar ninguém. Eu errei, eu bebi, eu dirigi. (…) Eu sei que nunca tive a oportunidade de pedir desculpas para a dona Christiane [Yared] e para a dona Vera [Lúcia], quero pedir desculpas. Quero do fundo do meu coração”, declarou o réu. 

Questionada logo após o encerramento do primeiro dia, Christiane Yared disse que esperava mais. “Perdão vem da alma, mas sinceramente não sinto que tenha vindo da alma dele. Eu achei que ele viria me abraçar, dizer que errou, pedir perdão por eu ter que ver essas imagens. Você acha que eu não ia perdoá-lo”, questionou. 

Com perguntas apenas do juiz Daniel Avelar e da promotoria, Carli Filho disse não se lembrar da velocidade de seu carro e de mais nada do dia do acidente. “Lembro apenas de acordar dias depois no hospital. Não lembro nem de sair do restaurante”, garantiu. 

Carli Filho é acusado pela morte de Gilmar e Carlos Murilo de Souza em 7 de maio de 2009. Segundo a acusação, o ex-deputado estava com a carteira de motorista suspensa (130 pontos) e, segundo a perícia, decolou com seu veículo a 173 km/h, aterrissando sobre o veículo em que as vítimas estavam.  

Christiane Yared (Foto: Felipe Ribeiro – Banda B)

O júri 

O júri popular de Carli Filho começou pouco tempo depois do previsto, 13h10. Logo após as manifestações iniciais de defesa e acusação, o Conselho de Sentença foi sorteado eletronicamente e o corpo de jurados ficou definido com cinco mulheres e dois homens.  

A primeira testemunha ouvida foi o cardiologista Eduardo Missel Silva, amigo pessoal de Carli Filho e que estava com ele em um restaurante do bairro Bigorrilho minutos antes do acidente. Ele confirmou que quatro garrafas de vinho foram consumidas na mesa, mas disse que uma delas foi descartada por ter aspecto “estragado”. Outro ponto que chamou a atenção da fala, foi a curiosidade de que ele passou a direção de seu carro para a namorada, já que não tinha condições de dirigir. “Ela foi a que menos bebeu, então pareceu a atitude certa a se fazer”, disse.  

Questionado ainda sobre as condições do réu, ele disse não ter como atestar que Carli Filho não possuía condições de dirigir.  

Foto: Felipe Ribeiro – Banda B

O segundo a ser ouvido foi o médico José Antônio Mangue, que atendeu o ex-deputado após o acidente. Os principais questionamentos em torno dele ficaram em torno da reconstrução facial do réu e da transferência dele para um hospital de São Paulo. A promotoria também exibiu imagens das vítimas questionando se ele saberia apontar que trauma sofreram. 

Testemunha chave, o funcionário do restaurante em que Carli Filho estava antes do acidente, Altevir Gonçalves dos Santos, foi o terceiro ouvido. Ele voltou a confirmar que o ex-deputado não tinha condições de dirigir. “Eu pedi, não faça isso, vá embora com o casal [Missel e namorada], o carro você busca amanhã”. Ele disse ainda que não sabia que Carli Filho era deputado, mas garantiu que ele já saiu em alta velocidade do restaurante. 

Leandro Ribeiro, que é testemunha ocular da batida, foi o qurto e disse ter visto o carro de Carli Filho “saltar 1,5 metro do chão” e atingir a traseira do carro das vítimas. “A velocidade era muito alta”, disse sobre a velocidade. A defesa usou um depoimento anterior para fazer questionamentos a Leandro, 

O quinto a falar foi Yuri Yasichin da Cunha. Em depoimento rápido, ele disse ter ouvido apenas o estrondo do acidente, mas que chegou rápido ao local. Ele garantiu que o carro das vítimas deu uma “seguradinha”, mas não parou na via.  

Contratado pela família Carli, o perito Ventura Raphael Martello Filho foi a sexta testemunha e prestou um depoimento de mais de três horas. Durante este período ele questionou o laudo do Instituto de Criminalística e afirmou que são várias as “incongruências” sobre velocidade e também em relação ao impacto. Com dados matemáticos e físicos, ele garantiu ser “impossível” acontecer o descrito na denúncia. 

Sobre velocidade, por exemplo, Martello garantiu que seria necessário algo próximo de 250 km/h para que ele pudesse sair do chão no local. Quando o tema “decapitação” das vítimas entrou em discussão, Carli Filho deixou o plenário demonstrando abalo emocional. 

Por fim, Carli Filho foi o último a falar e recebeu questionamentos apenas da promotoria e do juiz Avelar. A expectativa é de que tenhamos um veredito até o fim da tarde de quarta-feira.

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