Luiz Carlos Martins: ‘Ecovia é culpada pelo desastre’

Luiz Carlos Martins: ‘Ecovia é culpada pelo desastre’

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03.08.20                                16.30 h

O deputado Luiz Carlos Martins está vivendo em absoluto isolamento social – ao lado da sua Maria e do sobrinho Rafael Lopes -, mas está também mais ativo do que nunca: ao meio dia desta segunda-feira (3), ele me disse, em tom de protesto e amargura, sobre o acidente absurdo de domingo à noite, na BR-277, Km 76, em que morreram oito pessoas, 26 estão feridas, com enormes prejuízos materiais para os 26 veículos envolvidos na tragédia:

– A tragédia é pura responsabilidade da detentora da concessão do pedágio. No caso, a Ecovia/ EcoRodovias, grupo que, parece, só está interessado na máquina de fazer dinheiro. Para ela, vidas humanas não importam.

“TIRAR ROUPA DE CORDEIRO”

Para o parlamentar, dono das manhãs curitibanas em seu programa na Rádio Banda B, “é preciso a sociedade se movimentar. Temos de nos despir da pele de cordeiro e aprender a lutar contra injustiças”. Isso não é bandeira “perigosa”. “É bandeira cristã, de justiça, que pode nos encaminhar para sermos uma Nação com vez e voz de uma vez por todas.”

NÃO FUGIR DA RESPONSABILIDADE

Luiz Carlos Martins argumenta o porquê da responsabilidade da Ecovia:

“A empresa fatura milhões de reais todos os dias com a concessão. Tem, assim, de garantir o mínimo de segurança aos usuários do serviço de que é concessionária. Não há como esconder o relaxamento da empresa, que poderia prever para prover segurança. É questão de planejamento, que a empresa não exercita para atender ao bem comum.

“TINHA DE PREVER PARA PROVER”

E faz uma observação contundente:

– Veja: a Ecovia sabe, há dezenas de anos, que esta é época, inverno, é caracterizada por constantes queimadas. Queimadas, com a neblina, estando mais forte na temporada, fazem o combustível “ideal” para um macro e doloroso desastre, como esse de domingo.

SÃO CIDADÃOS DO MUNDO

Enquanto lamenta o número de mortes já registradas, Luiz registra: “Deus permita que novas mortes não ocorram, dentre os hospitalizados”.

E afirma, categórico: “Os donos da Ecovia são cidadãos do mundo, internacionais, até alguns deles vivem na Europa. Eles sabem que rodovias, pedagiadas têm de apresentar sinalização suficiente e boa sobre possíveis causas de acidentes. Fumaça e neblina são – e foram neste caso – potenciais vetores de desastre. É a questão de previsão, que anda junto com o planejamento…

HÁ JURISPRUDÊNCIA

Por último, o deputado disse-se disposto a assumir a bandeira das vítimas e suas famílias, em busca de responsabilizar a Ecovia. E garantiu: “A mim, me parece direito líquido e certo o ressarcimento material dos prejuízos. O TJ-SP já formou, por exemplo, jurisprudência sobre o assunto.”

E encerrou lamentando: “Mas quem devolverá as vidas e as trajetórias interrompidas pela incúria de uma empresa que recebe por serviços que não está entregando?”

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