Temer perdeu a chance de se consagrar e hoje é execrado pela população, diz autor do impeachment de Dilma

Temer perdeu a chance de se consagrar e hoje é execrado pela população, diz autor do impeachment de Dilma

- in Notícia
167
0

08.06.18  10.15 h


Autor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), o advogado Miguel Reale Júnior afirmou, na noite desta quinta-feira, em Curitiba, que o Brasil melhorou após a deposição da presidente, mas que o presidente Michel Temer (MDB) perdeu a oportunidade de se consagrar e, ao envolver-se em escândalos tão graves quanto os do governos petistas, levou o país a uma crise de credibilidade política e ao risco de desobediência civil. Para Reale, que conversou com o Paraná Portal antes de palestrar em evento do Instituto dos Advogados do Brasil sobre delação premiada, leniência e compliance, o apoio popular à greve dos caminhoneiros é o melhor exemplo disso. “A população apoia tudo o que contesta”.

Miguel Reale Júnior disse que a expectativa que se tinha em relação à melhora da economia foi atendida com o impeachment de Dilma. “O país estava em uma profunda recessão, com um déficit fiscal imenso. As pedaladas não foram apenas uma questão formal. Era uma questão básica, pois foi uma forma de fraudar as contas públicas apresentando um país economicamente saudável quando se estava camuflando um desequilíbrio fiscal brutal. Então o país vivia uma situação econômica extremamente grave. E ocorreu um ajuste fiscal para reiniciar um processo de crescimento. Isso ocorreu”, disse.

O que não ocorreu, segundo o advogado, foi o presidente da República ter se voltado para a nação, se explicado para a nação, “se libertado dos amigos que eram uma societa sceleris (organização criminosa). Seus principais ministros hoje estão afastados ou presos, e isso foi criando um distanciamento entre o presidente e a sociedade. Surgiram as denúncias contra ele, que fez decrescer mais ainda sua legitimidade. Então, o presidente não correspondeu ao que era necessário”, afirmou.

Reale lamentou que nunca um presidente assumiu o cargo com tanta perspectivas de se consagrar rapidamente reestruturando o país, falando com a sociedade e exigindo da sociedade um sacrifício. “Ele achou que ia ganhar credibilidade apenas com a reforma econômica e com a reforma da previdência. Mas aconteceu o contrário. Temos um presidente execrado pela população”.

Para o advogado, Temer só não foi afastado do cargo por conta de sua relação com o Congresso, “porque ele viveu voltado para o Congresso”. Ele lembrou que o próprio Congresso também enfrenta uma crise de legitimidade. “É um congresso vitimado também por acusações gravíssimas, todos os presidentes de partidos políticos no Brasil estão no banco dos réus. Existe um denominador comum dos presidentes de partidos políticos brasileiros, o banco dos réus”

Para ele, a crise de credibilidade dos representantes legais motivam a população a um estado de desobediência civil. “É o país que nós vivemos, com credibilidade zero do Congresso, com credibilidade zero da classe política, que leva a um risco de anomia, a uma profunda desobediência civil. E a greve dos caminhoneiros é um exemplo. Ela não nos traria benefício nenhum, pelo contrário, mas a população apoiou, porque a população está numa fase de apoiar tudo o que contesta. As pessoas estão descrentes com a representação. Nos dias de hoje, que nos comunicamos com quem quisermos, quando quisermos, não há mais sentido na representação, porque nós hoje nos apresentamos, não precisamos ser representados, ainda mais nesta crise de confiança. A classe política não merece respeito, o presidente não merece respeito, seus ministros não merecem respeito e tudo o que o contesta passa a ser admitido e aceito sem maiores reflexões”.

E a perspectiva de eleições em quatro meses não anima o advogado, que vê um futuro opaco. “Tudo isso forma um quadro muito negativo, em que as expectativas das próximas eleições se voltam exclusivamente para as figuras carismáticas e aqueles que têm experiência, conteúdo, programa para apresentar, muitas vezes são desconhecidos, porque fica-se dando importância para aqueles que ficam falando o que a população quer ouvir em tiras. Por isso que, para mim, o amanhã é opaco”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pode ser de seu interesse

PDT também recorre ao TSE pela cassação de Bolsonaro

19.10.18  18.50 h Como já havíamos noticiado, assim